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Sevilha, a capital da Andaluzia

Tapas de balcão, palácios convertidos em hotel, o Alcázar e um convento que vende doces: Sevilha, a capital da Andaluzia, lida com calma e curadoria.

Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.

Sevilha não tem pressa de ser descoberta. Sabe que será. A capital da Andaluzia guarda o passado mouro, o ouro das Américas e o ritmo do flamenco no mesmo labirinto de ruas estreitas, e oferece tudo isso com a naturalidade de quem nunca precisou se explicar.

Pátios de azulejo, fontes, laranjeiras nas praças, carruagens diante da catedral. Ao cair da noite, os becos se enchem de mesas e de música. A cidade é tradicional em quase tudo: na maneira de se vestir, nos rituais da mesa, no orgulho quase separatista de ser sevilhano antes de ser espanhol. E é justamente essa fidelidade a si mesma que a torna tão moderna aos olhos de quem chega.

Sevilha
Sevilha
Sevilha

À mesa: a liturgia dos tapas

Em Sevilha, comer é deslocar-se. O tapeo é uma peregrinação de balcão em balcão, com uma taça de xerez gelado ou uma Cruzcampo na mão: peixe frito, gambas, o clássico grão-de-bico com espinafre, croquetes, bacalhau com tomate, bochecha de porco ibérico. Ninguém se contenta com um prato só.

A La Azotea, na Calle Jesús del Gran Poder, é um bom começo, movimentada e disputada; vale chegar cedo para garantir um banco. Onde quer que a rota termine, ela deve passar por El Rinconcillo, na Calle Gerona, a taberna mais antiga da cidade, em funcionamento desde 1670. O balcão de madeira escura, os azulejos, a conta anotada a giz: pouco mudou em três séculos e meio.

Balcão de tapas em Sevilha

Para a outra ponta do espectro, o Abantal, do chef Julio Fernández Quintero, mantém sua estrela Michelin com uma cozinha andaluza contemporânea, precisa e de serviço impecável. Hoje divide o posto com o Cañabota, também estrelado, dedicado aos peixes e frutos do mar. Em ambos, reservar com antecedência é regra.

Abantal
Abantal

Onde ficar: três palácios, três temperamentos

Hotel Alfonso XIII. Construído para a Exposição Ibero-Americana de 1929 e inaugurado na presença do rei que lhe dá nome, é o grande palácio hoteleiro da cidade, hoje administrado pela Marriott International. Arcos mouriscos, azulejos, pátio central e um bar que atravessou quase um século de hóspedes ilustres. A suíte real, com cama de dossel e colunas de mármore, é a mais cenográfica.

Hotel Alfonso XIII
Hotel Alfonso XIII

CoolRooms Palacio Villapanés. Um palácio do século XVIII no bairro de Santa Catalina, convertido em hotel de poucas dezenas de quartos. Pátio com arcos e colunas de mármore, interiores contemporâneos e um terraço sobre os telhados. É a escolha de quem prefere discrição a grandeza.

Palacio Villapanés

Hotel Colón Gran Meliá. A poucos passos da Real Maestranza, a praça de touros, foi durante gerações o endereço do mundo taurino. A reforma contemporânea, com mobiliário de Philippe Starck e Edra sobre fundo branco pontuado de preto, vermelho e dourado, deu ao prédio uma teatralidade assumida.

Hotel Colón Gran Meliá
Hotel Colón Gran Meliá

O essencial: Alcázar, catedral, Giralda

O Real Alcázar é a razão pela qual muitos chegam. Um dos palácios reais em uso mais antigos da Europa e patrimônio mundial da Unesco, reúne tetos dourados, gesso rendado, azulejos e o som constante da água. Os jardins, cenário de Dorne em Game of Thrones, terminam na Galería del Grutesco, que muita gente deixa de ver. Nas noites de verão, o palácio recebe concertos e espetáculos.

Real Alcázar de Sevilha
Real Alcázar de Sevilha

Ao lado, a Catedral de Sevilha, uma das maiores catedrais góticas do mundo, ergueu-se sobre a antiga mesquita, da qual preservou a Puerta del Perdón e o Pátio das Laranjeiras. Dentro está o túmulo de Cristóvão Colombo. A Giralda, antigo minarete convertido em campanário, recompensa a subida com a vista sobre o bairro de Santa Cruz.

Catedral de Sevilha

Fora do roteiro: convento, flamenco e livros

No bairro de San Luis, pouco visitado, o Convento de Santa Paula abre parte de seu mundo a quem aparece no horário certo, sempre restrito, e vale conferir antes. A igreja do século XV guarda obras de Morales e José de Ribera, e as irmãs vendem doces e compotas feitos ali mesmo, a melhor lembrança possível da cidade.

Convento de Santa Paula

O flamenco correu o mundo, mas sua casa é a Andaluzia. El Palacio Andaluz é um dos tablaos tradicionais da cidade, com espetáculos diários; reservar é recomendável. E para trocar de cena, Un Gato en Bicicleta, na Calle Regina, começou como livraria independente e virou um pequeno centro cultural, com música ao vivo, leituras e debates num espaço mínimo.

Flamenco em Sevilha
Un Gato en Bicicleta

Hotel Alfonso XIII: Calle San Fernando, 2, Sevilha. CoolRooms Palacio Villapanés: Calle Santiago, 31, Sevilha. Hotel Colón Gran Meliá: Calle Canalejas, 1, Sevilha. El Rinconcillo: Calle Gerona, 40, Sevilha. Abantal e Cañabota: estrelados no Guia Michelin 2026; reservas pelos sites oficiais.

Sevilha não seduz com pressa. Seduz com a luz baixa nas fachadas, o cheiro de laranjeira e um balcão que serve o mesmo vinho desde 1670. Quem entende isso volta. Quase sempre.

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Redação WAYFARER

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