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WAYFARER · GASTRONOMIA

Atto: a cozinha na brasa na antiga casa de Cacilda Becker

Em 2022, a chef Luiza Hoffmann abriu o Atto no casarão do Itaim onde viveu Cacilda Becker. Um registro da proposta da casa, cuja operação atual o leitor deve confirmar antes de ir.

Por Gabriel Silveirado1 agosto, 2022

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026. Não conseguimos confirmar se o Atto segue em funcionamento; antes de ir, confirme diretamente com a casa. Este texto fica como registro da proposta original.

Há casas que carregam uma biografia. O Atto nasceu dentro de uma.

O restaurante abriu em 2022 num casarão do Itaim Bibi onde morou Cacilda Becker, a grande dama do teatro brasileiro. A ideia era fazer dali o palco de uma cozinha mediterrânea moderna, preparada no ato, com a brasa no centro. Cardápio e carta de drinques partiam do gosto atribuído à própria Cacilda e ao círculo de amigos que frequentava a casa, com um toque contemporâneo que se estendia à decoração.

Uma equipe de mulheres

O espírito altivo da atriz foi traduzido na formação da equipe, liderada por mulheres. A cozinha ficou com a chef Luiza Hoffmann, também comunicadora e apresentadora de programas de culinária. O bar, com Chris Machado, que vinha do Mocotó. A mixologista Talita Simões assinou a consultoria de coquetelaria, e a sommelière Gabriela Bigarelli montou uma carta de vinhos que incluía naturais, orgânicos e biodinâmicos.

Chef Luiza Hoffmann

A brasa em primeiro plano

Na abertura, os itens preparados na brasa, num forno Vulcano e numa grelha de yakitori, tinham o papel principal. A cozinha de Hoffmann, que havia passado por uma imersão no restaurante de Martín Berasategui, apostava na fartura de pescados e em acompanhamentos leves, com a intenção declarada de servir pratos que confortassem e trouxessem à tona um passado simples.

O cardápio inaugural tinha sashimi de robalo com molho cítrico, laranja na brasa, ovas de peixe-voador, jalapeño e azeite de coentro; ceviche vegano de lichia com pipoca de arroz selvagem; nhoque de milho com fonduta de mascarpone e minimilho na brasa; polvo na brasa com arroz caldoso de bacon e tomate. Na sobremesa, o Cacauaçu: casquinha de cacau 70% com mousse de cupuaçu sobre base de brownie.

A casa como cenário

As janelas e os pisos originais foram restaurados para recuperar a atmosfera, ao mesmo tempo chique e despojada, que a classe artística conheceu na era de ouro do teatro brasileiro. As artes visuais entraram na homenagem: Afonso Oliveira, Fernanda Romão, Dante e Emanuel Nunes criaram obras inspiradas na vida da atriz para os ambientes do restaurante.

Uma atriz, uma casa, uma brasa acesa no lugar onde antes se ensaiavam falas. O Atto quis ser isso: um jantar em cena, no endereço de quem fez do palco a própria vida.

Redação WAYFARER

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