Nota editorial: publicada originalmente em 2020 e atualizada em setembro de 2026.
O Rio sempre soube receber. Nos últimos anos, aprendeu também a servir.
A cidade que por décadas foi lembrada mais pela paisagem do que pela mesa consolidou uma cena gastronômica que hoje ocupa páginas inteiras do Guia Michelin. A seleção a seguir não é exaustiva. Reúne endereços que atravessaram a pandemia e as mudanças de guarda da cozinha carioca sem perder o motivo pelo qual valem a reserva.
Mr. Lam: a China na beira da Lagoa
Aberto há quase duas décadas numa casa à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, o Mr. Lam nasceu do projeto do empresário Eike Batista de trazer ao Rio um restaurante chinês nos moldes do Mr. Chow nova-iorquino. O salão é sóbrio e imponente, o serviço conhecedor, e o pato laqueado segue como razão principal da visita. O restaurante integra a seleção do Guia Michelin.


Térèze: Santa Teresa vista do alto
No Santa Teresa Hotel, da coleção MGallery, o Térèze ocupa um salão de janelas amplas que emolduram a cidade, numa atmosfera que mistura materiais de demolição e elegância tropical. A cozinha é contemporânea, com base francesa e ingredientes brasileiros de estação, e aparece no Guia Michelin como escolha para um jantar tranquilo. Em 2026, o hotel anunciou como chef executivo o franco-brasileiro Pierre Cozan, com passagem pelo Mirazur, e um novo menu para a casa.


Mee: a Ásia no Copacabana Palace
Dentro do Copacabana Palace, o Mee mantém uma estrela Michelin com cozinha pan-asiática que passa por Tailândia, Malásia, Camboja, Singapura e Japão. Desde 2023 sob o comando do chef Alberto Morisawa, de família com raízes em Nagasaki, a casa reforçou o balcão de sushi e o omakase, sem abandonar os menus-degustação, um deles vegano. A carta de saquês e vinhos acompanha à altura.


Sushi Leblon: quase quatro décadas de balcão
Na Rua Dias Ferreira, o Sushi Leblon é há quase quarenta anos um dos endereços japoneses mais prestigiados da cidade e um ponto de encontro da cena social carioca. O salão escuro, de madeira, tem no balcão diante da cozinha o lugar mais disputado. Entre os clássicos da casa, o tartare de atum com gema e ovas. O Guia Michelin o inclui na seleção do Rio. Para o jantar, reservar é quase obrigatório.


Da Brambini: a trattoria do Leme
Desde 1991 na orla do Leme, o Da Brambini é uma das casas italianas mais tradicionais do Rio. O salão intimista, com painel de azulejos pintados com limões sicilianos, tem clima de trattoria. O couvert foge do óbvio, com antepastos em conserva, e o nhoque à sorrentina e o espaguete com lagostins estão entre os pratos que sustentam a fidelidade da clientela.


Janeiro: o Leblon pela janela
No Janeiro Hotel, de Oskar Metsavaht, o restaurante de mesmo nome serve almoço diante de uma janela panorâmica para a praia do Leblon, com cozinha fresca e muito peixe e frutos do mar. À noite, o hotel abriu em 2026 o Amelia, com menu fixo de influências italianas, espanholas, asiáticas e mediterrâneas. No térreo, o Cedilha funciona como bar e bistrô, e no alto do prédio o bar da piscina completa o circuito.


Da primeira edição: Puro e Formidable
A versão original deste guia, de 2020, incluía o Puro, do chef Pedro Siqueira, no Jardim Botânico, e o Formidable Bistrot, de Pedro de Artagão, no Leblon. Nesta revisão, não foi possível confirmar o funcionamento atual das duas casas, e por isso elas saem da seleção. Ficam as imagens, como registro.




Ficha de serviço
Mr. Lam: Rua Maria Angélica, 21, Lagoa.
Térèze: Santa Teresa Hotel RJ MGallery, Rua Felício dos Santos, 15, Santa Teresa.
Mee: Copacabana Palace, Av. Atlântica, 1702, Copacabana.
Sushi Leblon: Rua Dias Ferreira, 256, Leblon.
Da Brambini: Av. Atlântica, 514, Leme.
Janeiro e Amelia: Janeiro Hotel, Av. Delfim Moreira, 696, Leblon.
Leia também: o retorno do Guia MICHELIN ao Brasil e os destaques do Rio Gastronomia.
A paisagem continua sendo o primeiro argumento do Rio. Mas quem se senta à mesa certa, na Lagoa, no alto de Santa Teresa ou diante do mar do Leblon, descobre que a cidade tem hoje outro jeito de ser lembrada.
Redação WAYFARER

